
O velejador Eduardo Harabedian, comandante do Nativo 3, partirá de Angra dos Reis rumo a Santos para participar da 76ª Regata Santos-Rio, marcada para 22 de outubro e responsável por abrir o Campeonato Brasileiro de Oceano 2026. Tricampeão brasileiro da classe Bra-RGS, com títulos conquistados em 2017, 2020 e 2025, ele inicia a temporada em busca de mais um resultado expressivo.
A preparação para a nova edição vem acompanhada da lembrança de uma situação adversa vivida no ano passado. Durante o Brasileiro de 2025, realizado na Búzios Sailing Week, o Nativo 3 colidiu com uma escuna antes da primeira regata e sofreu danos estruturais. A participação da equipe chegou a ficar ameaçada, mas a mobilização de velejadores da própria classe permitiu recuperar a embarcação a tempo.
Depois dos reparos, o barco voltou à disputa e terminou o campeonato como campeão geral da Bra-RGS e da divisão RGS A. A conquista reforçou o espírito de cooperação entre as tripulações, uma característica marcante da vela oceânica.
O planejamento para 2026 prevê a saída de Angra dos Reis em 18 de outubro, com possibilidade de parada para pernoite em Ilhabela. A chegada a Santos está estimada para os dias 20 ou 21. De acordo com Harabedian, o deslocamento terá aproximadamente 140 milhas náuticas, antes dos cerca de 200 milhas da regata oficial.
A intenção é realizar o trajeto velejando, aproveitando o percurso para concluir os preparativos do Nativo 3. “A expectativa é sempre grande, sempre um grande desafio”, afirma o comandante.
Histórico na Santos-Rio inclui decisões importantes
Harabedian participa da Santos-Rio desde o fim da década de 1980. A experiência acumulada ao longo dos anos inclui episódios em que a segurança da tripulação e as condições de navegação exigiram mudanças de planos.
Em 2020, quando competia com o Nativo 2, o velejador enfrentou ventos intensos e ondas fortes. Ao navegar nas proximidades de Ilha Grande, percebeu que o barco estava fazendo água e optou por interromper a participação, retornando a Angra dos Reis. Após os reparos necessários, a equipe voltou às competições no Circuito Rio.
Para a edição de 2026, uma alteração importante está prevista na linha de chegada, que ficará na região da Ilha Rasa, fora da Baía de Guanabara. A mudança busca evitar um trecho conhecido pela ocorrência de ventos fracos, que pode comprometer o avanço dos barcos na parte final da prova.
Harabedian considera positiva a alteração. “A chegada na Rasa ajuda a ficarmos fora do bolsão de pouco vento que sempre se forma entre a Tijuca e as praias”, avalia. “Creio que será uma grande regata.”
A classe Bra-RGS terá 13 embarcações na disputa. As inscrições foram encerradas nesta sexta-feira (16), formando uma flotilha que promete ampliar a competitividade da categoria.
Brasileiro terá disputas em quatro classes
O Campeonato Brasileiro de Oceano 2026 será composto pela 76ª Regata Santos-Rio e pelo 57º Circuito Rio, agendado para 30 de outubro a 2 de novembro. A programação contempla as classes ORC, Bra-RGS, RGS-Cruiser e Clássicos.
Pela primeira vez, as quatro classes estarão reunidas na mesma edição do campeonato. A organização também adotará um sistema de pontuação crescente ao longo das disputas, sem descarte da travessia Santos-Rio, mantendo a classificação em aberto até o encerramento da competição.
O evento é organizado pela Associação Brasileira de Veleiros de Oceano (ABVO), pelo Iate Clube de Santos e pelo Iate Clube do Rio de Janeiro. A ABVO administra as regras de rating utilizadas nas competições, representa a ORC no Brasil e presta suporte técnico aos clubes organizadores, contribuindo para o desenvolvimento da modalidade no país.
O Aviso de Regata está disponível em: www.sailrace.com.br.
Sobre a ABVO
Criada em 1955, a Associação Brasileira de Veleiros de Oceano é a única entidade dedicada à promoção da vela de oceano no Brasil. Como braço oficial da Confederação Brasileira de Vela (CBVela), organiza competições anuais e trabalha para preservar e ampliar o legado de uma modalidade que reúne algumas das maiores conquistas esportivas do país, nas classes olímpicas e não olímpicas.
A entidade tem como Comodoro o santista Bayard Umbuzeiro Neto. O bicampeão olímpico Torben Grael ocupa o cargo de 1º Vice-Comodoro, enquanto Paulo Cezar Gonçalves, conhecido como Pileca, é o 2º Vice-Comodoro.
Entre as prioridades da atual gestão estão a racionalização do calendário nacional, o fortalecimento da relação com os clubes, a ampliação da participação das flotilhas regionais, o suporte técnico às regatas e o aperfeiçoamento dos sistemas de apuração de resultados, além da criação de melhores condições para o crescimento da vela oceânica brasileira.