Santos, no litoral de São Paulo, conquistou pela segunda vez o prêmio de Cidade Mais Inclusiva da World Surf Cities Network (WSCN), rede internacional que reúne municípios ligados ao surfe. A distinção foi entregue em outubro de 2026, durante um encontro realizado em Ericeira, Portugal, e reconheceu os programas públicos que oferecem aulas gratuitas da modalidade a pessoas de diferentes idades e condições físicas.

A cidade já havia recebido o prêmio em 2023, durante uma reunião da organização em Viana do Castelo, também em Portugal. Na ocasião, o reconhecimento considerou principalmente as atividades voltadas a pessoas com mais de 50 anos e as iniciativas de surfe adaptado.

A nova premiação destaca uma estrutura municipal que combina esporte, saúde e inclusão social. O trabalho é desenvolvido por meio de escolas públicas de surfe e conta com a participação da Prefeitura de Santos, da Secretaria Municipal de Esportes (Semes) e de parceiros privados.

Santos foi representada no encontro internacional por Cisco Araña, coordenador das escolas públicas de surfe do município e embaixador global da WSCN, e César Augusto Andrade, diretor de Marketing do CSC Group, da Blue Med Saúde.

Escola pública já atendeu mais de 50 mil pessoas

Um dos programas reconhecidos é a Escola Radical de Surfe, fundada em 1991 e considerada pioneira entre as escolas públicas da modalidade no Brasil.

Localizada no Posto de Salvamento 2, na Praia da Pompeia, a unidade oferece aulas de surfe e bodyboard para diferentes faixas etárias. Desde sua criação, mais de 50 mil pessoas passaram pelas atividades.

Atualmente, a escola reúne mais de 500 alunos e atende desde crianças até pessoas com mais de 80 anos. O trabalho com participantes acima de 50 anos é uma das características da iniciativa.

Para Cisco Araña, o acesso à modalidade deve ser ampliado para públicos que tradicionalmente encontram mais dificuldades para participar de atividades no mar.

“O surfe precisa ser uma possibilidade para todos, independentemente da idade ou das condições físicas. Quando oferecemos estrutura, orientação e oportunidades de participação, mostramos que o mar também pode ser um espaço de inclusão, autonomia e convivência”, afirma.

Surfe adaptado também integra programas municipais

Outra iniciativa considerada no reconhecimento internacional é a Escola Pública de Surfe Adaptado, inaugurada em 2020, no Posto de Salvamento 3, na Praia do Gonzaga.

O projeto oferece atividades direcionadas a pessoas com deficiência, com adaptações e recursos voltados às necessidades dos participantes.

As duas escolas foram reconhecidas como Patrimônio Cultural e Imaterial de Santos em janeiro de 2025, por sua participação na história esportiva e social do município.

Também em 2025, a Escola Radical de Surfe recebeu o Aloha Award, concedido pela International Surfing Therapy Organization (ISTO), instituição que atua na promoção de iniciativas relacionadas ao surfe, saúde e bem-estar.

Para César Augusto Andrade, representante da WSCN no Brasil e diretor de Marketing da Blue Med Saúde, a nova premiação reconhece o trabalho desenvolvido ao longo de décadas.

“Receber esse prêmio é uma valorização de toda a equipe que acredita no surfe como instrumento de transformação social. Mais do que ensinar uma modalidade esportiva, queremos criar oportunidades para que as pessoas desenvolvam confiança, independência e uma relação positiva com o mar”, diz.

A Escola Radical de Surfe funciona no Posto de Salvamento 2, na Praia da Pompeia, enquanto a Escola Pública de Surfe Adaptado está localizada no Posto de Salvamento 3, na Praia do Gonzaga. As duas iniciativas oferecem atividades gratuitas à população.

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