
No mar de Ilhabela, histórias de vida dividem espaço com as regatas da SIVI
Em cada largada da Semana Internacional de Vela de Ilhabela Daycoval (SIVI), disputada entre 26 de julho e 1º de agosto, há muito mais do que embarcações em busca de bons resultados. Considerada a maior competição de vela oceânica da América Latina, a prova também reúne famílias, casais e amigos que compartilham décadas de dedicação ao mar.
A tradição da família Nonno simboliza esse espírito. Há mais de 30 anos presente na competição, o grupo retorna à SIVI com Renato Nonno, de 58 anos, no comando da embarcação, acompanhado pela esposa Lucy, de 55 anos, e pelos filhos Renato, Pedro e Marina, de 28, 22 e 19 anos.
Na visão de Lucy, o barco faz parte da identidade da família.
“Costumo dizer que nossos barcos são parte da formação dos nossos filhos e instrumento de acolhimento de amigos e familiares. O barco não é um objeto inanimado: é uma parte de todos nós. Durante os eventos da semana de vela, testamos nossa unidade, a capacidade de superar desafios. Crescemos e aprendemos com o mar e com o barco que somos melhores trabalhando juntos”, diz Lucy.
Os representantes da Marina Supmar, de Santos (SP), voltarão a competir com o Purgex, um Skipper 21 fabricado em 2005. A embarcação foi adquirida em Quirinópolis (GO), onde estava em um rancho na represa São Simão. A mudança para o litoral paulista exigiu uma viagem de mais de 900 quilômetros em dois dias, enfrentando muita poeira pelo caminho.
Quando estreou na SIVI de 2025, o barco ainda carregava marcas dessa jornada.
“Chegamos na SIVI de 2025 com os cabos ainda pintados de terra vermelha. Aos poucos, sal e água foram tirando o vermelhão, deixando os cabos alaranjados. Isso, somado às dificuldades enfrentadas naquela semana, transformaram o nosso novo modelo em um verdadeiro barco de regada”, conta Lucy.
Além do período de adaptação ao novo barco, a equipe enfrentou a quebra do suporte da cana de leme durante o campeonato. Embora o reparo tenha sido realizado, o incidente prejudicou o desempenho da embarcação.
Ainda assim, a emoção permanece a mesma a cada nova edição.
“É emocionante participar da SIVI. A emoção começa no momento que abrem as inscrições. São dias de ansiedade e preparação. Quando chega o dia de seguir para a ilha, a sensação é de primeira vez. É um frio na barriga, o coração dispara. É como se realizássemos um sonho inédito. Talvez, essa seja a definição de paixão”, diz Lucy.
A competição também será especial para o Ogan, Delta 36 construído em 2003. Representando o Flip Boat Club, de Ubatuba (SP), a embarcação estreia na SIVI levando três casais com mais de 50 anos que navegam juntos há mais de duas décadas.
“Nosso objetivo é curtir toda a atmosfera da competição. É um sentimento de superação e realização. Uma satisfação por fazer parte de algo tão grandioso”, afirma Mário Gomide, 66 anos, comandante do Ogan.
O clube ainda contará com o Ka Mua, outro Delta 36, fabricado em 2007, que fará sua terceira participação na competição.
A comandante Carolina Mathias Moreira, de 45 anos, destaca que quatro dos sete integrantes da tripulação são mulheres, sendo que três estiveram na Refeno 2025 a bordo do único barco totalmente feminino da tradicional regata entre Recife e Fernando de Noronha.
“A maioria da tripulação, quatro de um total de sete pessoas, é formada por mulheres. Três delas tripularam o único barco totalmente feminino da Refeno 2025, conhecida regata internacional de Recife a Fernando de Noronha. Nosso objetivo na SIVI é participar de todas as regatas, completando todas elas com segurança. Trata-se de uma equipe iniciante, para qual participar da competição já é uma vitória”, afirma Carolina Mathias Moreira.