
Vento favorável, horas de navegação e uma sequência de exercícios a bordo de um barco considerado complexo marcaram a preparação brasileira para a SSL Gold Cup 2026. Em Grandson, na Suíça, Robert Scheidt e sua equipe passaram cinco dias no Lago Neuchâtel em busca de maior precisão nas manobras e entrosamento entre os velejadores.
O SSL Team Brazil dividiu a água com a seleção da África do Sul, comandada pelo capitão Ian Ainslie. Os treinamentos foram realizados nos SSL47, modelos que serão utilizados durante a competição, e também serviram para trabalhar a velocidade e a comunicação da equipe.
Alfredo Rovere, Juninho de Jesus, Robert Scheidt, Mario Tinoco, Leandro, Bruna Patrício, Guilherme Hasselmann, André Bochecha Fonseca e Andres Leandro Azambuya participaram desta etapa.
A adaptação ganhou importância porque houve alterações na composição da tripulação. Segundo Scheidt, a prioridade era fazer com que os novos integrantes assimilassem rapidamente a sequência de movimentos exigida pelo SSL47.
“O treino foi muito produtivo. A gente velejou cinco dias e teve vento bom todos os dias para treinar. A gente treinou junto com a equipe da África do Sul, do capitão Ian Ainslie, que é uma equipe muito forte. O foco desse treino foi realmente retomar a questão de todas as manobras nesse barco. É um barco complexo, difícil de velejar e muito duro fisicamente. Tivemos algumas mudanças na tripulação, então um dos objetivos era que esses novos tripulantes entrassem nessa engrenagem das manobras e rapidamente pudessem entender como se faz cada uma”, explicou Robert Scheidt.
No SSL47, dez velejadores precisam trabalhar de forma coordenada. Por isso, a equipe brasileira também dedicou atenção ao fluxo de informações durante a velejada, buscando estabelecer quando cada integrante deve falar e evitando que diferentes comandos sejam transmitidos ao mesmo tempo.
“A comunicação dentro do barco é uma coisa que a gente tem que constantemente avaliar: o quanto falar, quando falar e nunca um falar em cima do outro. Como temos muitos velejadores no barco, precisamos estar atentos. Os velejadores são muito completos e é importante não acabar exagerando na comunicação, falando o suficiente. É uma coisa que temos que dosar”, afirmou.
Para o timoneiro Robert Scheidt, as largadas representaram outro ponto central do treinamento. A atividade envolveu o cálculo de tempo e distância, o posicionamento e a aceleração do barco, além da sintonia com o proeiro e o tático.
“Para mim, como timoneiro, as largadas são muito importantes. O tempo e distância para a largada, posicionamento e aceleração do barco dependem muito de mim, do proeiro e do tático. Então, exercitar esse loop de comunicação entre nós três é muito importante. Depois também precisamos fazer o barco andar rápido, com o trim da genoa, da buja e da grande, para tirar o máximo de velocidade do barco”, completou.
Ao final de cada dia, o aprendizado foi transformado em registro técnico. O SSL Team Brazil está reunindo as informações em um “playbook”, que servirá para recuperar rapidamente os procedimentos e os principais pontos identificados durante a preparação.
“Foi bem intenso, muitas horas na água e muitas lições. Acabando o treino, estamos colocando tudo num diário que chamamos de playbook, para conseguirmos rapidamente refrescar o que aprendemos assim que subirmos no barco de novo. A ideia é ler essas informações e os pontos importantes para esse passo a passo da velejada do barco. Acho que a palavra é mecanização das manobras e, depois, o tom justo e a quantidade justa de comunicação. Foi bastante produtivo”, concluiu Robert Scheidt.
O treinamento em Grandson faz parte de uma programação maior. O centro de treinamento da SSL recebe, durante agosto, seleções de diferentes continentes interessadas em acumular experiência nos SSL47, aperfeiçoar o entrosamento e disputar sessões de preparação contra outras equipes nacionais.
A SSL Gold Cup chega à segunda edição em 2026 com um formato inspirado na Copa do Mundo de futebol. As seleções nacionais avançam por etapas eliminatórias, em uma disputa que reunirá 66 nações entre as classificatórias e a fase final. Na Final Series, 40 países estarão na briga pelo título mundial entre nações.
O Rio de Janeiro (RJ) será palco da Final Series, marcada para acontecer de 19 de novembro a 13 de dezembro. O Brasil já está classificado e começará sua campanha diretamente nas quartas de final, previstas para 7 a 10 de dezembro, seguindo o chaveamento divulgado pela organização.
A competição reúne velejadores de diferentes classes e gerações em uma mesma seleção nacional. A primeira edição aconteceu entre novembro e dezembro de 2023, em Gran Canaria, na Espanha.
Na estreia, a Hungria conquistou o título. Liderada por Zsombor Berecz, a equipe venceu Itália, Países Baixos e Espanha na decisão e ficou com o primeiro troféu da SSL Gold Cup.
O Brasil, comandado por Robert Scheidt, também chegou às quartas de final naquela edição e terminou na sexta colocação geral.
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